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Arquivos do Fundador · Nº 09 · Brasil

A empresa que Ozires Silva fundou estava quebrada. Chamaram ele de volta — e ele juntou um milhão de assinaturas.

Ele já tinha presidido a Petrobras e sido ministro. Não precisava voltar para uma empresa quebrada — e voltou, para conduzir uma privatização que quase ninguém queria. A história inteira, com as fontes de onde saiu.

FundadoresTraço · VisaoBrasil
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Lamin NgobehApresentador e fundador, Fica com Deus 9 min de leitura

A resposta curta

Ozires Silva (nascido em 1931) cofundou a Embraer em 1969 e foi seu primeiro presidente. Duas décadas depois, a empresa estava em falência técnica — e ele voltou à presidência, em 1991, não para colher sucesso, mas para conduzir a privatização de uma companhia que quase ninguém queria comprar. A campanha para salvá-la juntou mais de um milhão de assinaturas em 90 dias.

História

Chamaram ele para conduzir o velório.

Ozires Silva nasceu em 1931, em Bauru, no interior de São Paulo, filho de eletricista e costureira. Virou engenheiro aeronáutico num país que não fabricava avião. Em 1969 cofundou a Embraer e foi o primeiro presidente dela.

Duas décadas depois, a Embraer estava paralisada. Só em 1990 precisou demitir cerca de um terço do quadro. Em 1991 ele voltou à presidência — não para colher sucesso, mas para conduzir a privatização de uma empresa que quase ninguém queria comprar.

E aí ele fez algo que empresário nenhum faz: foi pedir ajuda ao país. A campanha para salvar a Embraer recolheu mais de um milhão de assinaturas em 90 dias — até um avião Tucano foi parado na Avenida Tiradentes, em São Paulo, para juntar assinatura de quem passava. A privatização saiu em dezembro de 1994, e depois disso a Embraer virou a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo.

O traço

Autossuficiência

Um dos 7 traços · Arquivos do Fundador

Fundar é uma coisa. Voltar quando está tudo no chão é outra.

Visão aqui não é prever o futuro. É enxergar que um país pode fazer o que dizem que ele não faz — e voltar para a parte ingrata para provar que dá.

  • Um projeto grande demais para uma pessoa às vezes precisa do país inteiro — e dá para pedir.
  • Voltar para colher o fracasso alheio, e não o sucesso pronto, é uma decisão, não um acaso.
  • A hora de defender uma indústria estratégica é antes de ela virar história — não depois.

Lições

Quatro decisões que fizeram a diferença.

01

Ele voltou para a parte ingrata.

Em 1991 reassumiu a presidência da Embraer não para colher sucesso, mas para conduzir a privatização de uma empresa que quase ninguém queria comprar.

Liderança de verdade aparece na tarefa que ninguém quer, não no cargo que todo mundo disputa.

02

Ele pediu ajuda ao país inteiro.

A campanha para salvar a Embraer recolheu mais de um milhão de assinaturas em 90 dias — até um avião Tucano parou na Avenida Tiradentes para juntar assinatura.

Um projeto grande demais para uma pessoa pode ser carregado por muitas — desde que alguém tenha a coragem de pedir.

03

Ele não trocou a missão pelo conforto.

Já tinha presidido a Petrobras e sido ministro. Não precisava voltar para uma empresa quebrada — e voltou mesmo assim.

Currículo pronto é um convite a parar; quem ainda enxerga uma missão maior escolhe o trabalho, não o descanso.

04

Ele provou que o país fabricava o que diziam que não.

Depois da privatização de 1994, a Embraer virou a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, atrás só de Boeing e Airbus.

Visão não é prever o futuro; é insistir que algo dado como impossível é só uma coisa que ainda não foi feita.

Dados

Os números, com o ano em que valem.

A virada da Embraer em marcos datados. Os prejuízos em dólar e o valor de mercado atual ficaram de fora — só um checador os sustentou, e valor de mercado muda todo dia.

Da falência técnica à 3ª maior do mundo

Fontes · Aéreo Jor · Suno · TMA Brasil
Cofundou a Embraere foi o primeiro presidente 1969
Demissões na criseem 1990 ≈ 1/3 do quadro
Assinaturas pela Embraerem 90 dias 1 milhão+
Preço da privatizaçãoem dezembro de 1994 (valores da época) R$ 154,1 mi
Posição no mundode aviões comerciais, atrás de Boeing e Airbus 3ª maior

O preço da privatização (R$ 154,1 milhões) está em valores de dezembro de 1994 — o ano é nomeado porque o Brasil trocou de moeda até o real, em 1994. Os prejuízos em dólar e o valor de mercado atual foram cortados na checagem.

Estratégia

O que dá para tirar disso sem virar imitação.

A leitura preguiçosa é "acredite no seu país". A parte concreta é outra: ele voltou para a tarefa que ninguém queria — não para colher o sucesso pronto, mas para conduzir uma privatização que quase ninguém achava que ia dar certo. Liderança apareceu no trabalho ingrato, não no cargo bonito.

O movimento que quase ninguém faz foi pedir ajuda na escala do problema. Uma empresa grande demais para ser salva por uma pessoa foi carregada por mais de um milhão de assinaturas em 90 dias. O ativo não era o dinheiro dele — era a capacidade de mobilizar um país em torno de algo que ele enxergava e os outros ainda não.

E o resultado desfez uma crença: depois de 1994, a Embraer virou a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo. A pergunta que a história devolve não é "como privatizar uma estatal" — é "o que dizem que o seu setor, ou você, não consegue fazer, e que é só uma coisa ainda não feita?". A resposta é sua.

Faça hoje

Aponte a tarefa que ninguém no seu meio quer assumir. Muitas vezes é ali, e não no cargo disputado, que está a chance de provar o que você enxerga e os outros ainda não.

Fontes

De onde veio cada afirmação.

  1. Relembre como foi a privatização da Embraer em 1994 Aéreo Jor · 2018
  2. Ozires Silva — tudo sobre Suno ·
  3. Da criação à privatização: a história de Ozires Silva na Embraer Invoz ·
  4. Embraer vence os desafios da privatização TMA Brasil ·

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